Quetzalcoatl, deus do Sol, dos ventos, ourives e artesãos
- Fridrik Leifr

- 7 de set. de 2021
- 3 min de leitura

Também conhecido como: Ehecatl, Itztlacoliuhqui, Kukulcan (Maia), Omecutli-Omeciuatly Ometecutli, Quetzalcoatl-Ehecatl, Quetzalcoatl-Xolotly Tlahuizcalpantecuhtli, lauixcalpantecuhtli, Tohil-Heumac, Yolcuatl.
Deus do ar, nuvens, vento, medicina e artes de cura, fertilidade e fortuna. Patrono dos fazendeiros, jardineiros e outros que trabalham com o solo; dos gravadores e cortadores de pedra e construtores, tendo em vista que as construções da época eram feitas com pedras; do ouro, dos ourives e todos aqueles que trabalham com metal. Inventor dos livros, da escrita, e do calendário. De acordo com uma versão de seus mitos, Quetzalcoatl é um dos quatro filhos de Ometecuhtli e Omecihuatl, os quatro Tezcatlipocas, cada um dos quais preside uma das quatro direções cardeais. Sobre o Ocidente preside o Tezcatlipoca Branco, Quetzalcoatl, o deus da luz, justiça, misericórdia e vento. Sobre o Sul preside o Tezcatlipoca Azul, Huizilopochtl, o deus da guerra. Sobre o Oriente preside o Tezcatlipoca Vermelho, Xipe Totec, o deus do ouro, agricultura e primavera. E sobre o Norte preside o Tezcatlipoca Negro, conhecido por nenhum outro nome além de Tezcatlipoca, o deus do juízo, da noite, do engano, da feitiçaria e da terra. Quetzalcoatl era frequentemente considerado o deus da Estrela da manhã (Vênus), e seu irmão gêmeo Xolotl era a estrela da tarde. Como a estrela da manhã, ele era conhecido pelo título Tlahuizcalpantecuhtli, que significa "senhor da estrela da aurora". Ele é às vezes representado como uma serpente vestida com penas verdes do pássaro quetzal e às vezes, ele aparece como um velho barbudo, de cabelos loiros ou pretos, olhos grandes e testa alta, e vestido com uma longa túnica.

O deus é representado em diferentes culturas que datam desde antes do povo Asteca. No período que compreende os séculos III a VIII E.C, existe registros de um culto a uma “serpente emplumada” pelo povo da civilização Teotihuacan, como um deus da vegetação, da terra e da água sendo correlacionado ao deus da chuva Tlaloc.
Na cultura Tolteca, que vai do século IX ao XII E.C., Quetzalcoatl é o deus da manhã e da alvorada, sendo também conectado à guerra, e acredita-se que em seus cultos eram requeridos sacrifícios humanos. Em um mito importante sobre a história de Quetzalcoatl, que o descreve como o sacerdote-rei de Tulla, capital dos Toltecas, é dito que nunca houve sacrifícios humanos, somente de aves, cobras e borboletas. Neste mesmo mito, ele é destronado pelo deus Tezcatlipoca através de magia negra, que toma forma de um beija-flor azul e instiga uma bruxa para consumar seu plano. Em posse de um cogumelo mágico, ela o oferece ao rei, que em total inocência bebe da poção feita com o cogumelo, fica embriagado e acaba tendo relações sexuais com a bruxa e, através deste ato, quebra uma tradição sagrada. Já sóbrio, e tomado pela vergonha, Quetzalcoatl decide deixar Tulla com seu séquito de anões e outras criaturas, que infelizmente falecem durante a viagem, e peregrina até a beira do oceano Atlântico, conhecido como “águas divinas”. Lá, ele embarcou em uma jangada feita de peles de serpente e navegou em direção ao nascer do sol. O fogo do sol nascente acendeu sua jangada, e após seu corpo ser reduzido a pó, seu coração levantou-se de seu corpo e juntou-se ao sol. Em outra versão deste mito, é dito que Tezcatlipoca induziu o virtuoso Quetzalcoatl ao pecado, embriaguez e amor carnal, e em seguida usou seu espelho para refletir sua imagem fraca e degradada, causando sua decepção e subsequente partida.

Já na cultura Asteca, séculos XIV a XVI E.C., ele era reverenciado como o patrono dos sacerdotes, protetor dos ourives e outros artesãos, e também o ligavam à morte e à ressurreição, pois em um mito, é dito que ele viaja ao reino do submundo chamado Mictlan junto de seu companheiro Xolotl, e após coletar os ossos de antigos mortos, tendo êxito mesmo sendo impedidos pelo rei da terra dos mortos, Mictlantecuhtli, que envia codornas para perseguí-los, ele os unge com seu sangue e dá vida aos humanos que habitam a data presente.
Co-autor: Eric Borges
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